A carta mais barata do baralho quis ser rei. Um clipe feito com inteligência artificial, do roteiro ao último quadro, e o caminho inteiro até ele. Inclusive o que deu errado.
É difícil passar por transformações. Aceitar o novo. Ninguém quer aceitar o novo, né?
Esse clipe também é uma maneira de eu chamar atenção para a IA. Já são quatro anos que eu estou postando as novidades, as maiores tendências, com as tecnologias mais recentes. E plataformas como, infelizmente, o Instagram acabam barrando a entrega desse conteúdo, e você infelizmente tem que pagar para chegar aonde você quer.
Então eu conto com os fãs. Eu conto com as pessoas da família. Eu conto com os amigos para ajudar a divulgar esse trabalho, que tem sido algo muito desafiador. Algo onde eu tenho aprendido muito, e é onde eu vou aprender mais, porque pior do que isso não fica, né? Na brincadeira, claro.
E é mais um desabafo: essa música não era pra existir. É uma música antiga, que graças à inteligência artificial foi terminada. Composição de uma banda antiga que tive, mas terminada com a ajuda da inteligência artificial.
É interessante falar como um brasileiro que tá no topo da IA, fazendo isso, e não tem reconhecimento. Eu não sei o que pode ser, eu não sei como a gente vai apontar isso, mas eu preciso falar alguma coisa.
Em breve teremos a loja e o canal do YouTube.
Mister RickRoss
A primeira versão ficou pronta num dia. Torre, túnel de aros vermelhos, carta caindo, partícula, brilho. O veredito do artista foi curto: "tá sem direção, só coisas se repetindo, não tem enredo."
Ela foi jogada fora inteira. Nada dela voltou. A regra que ficou pra todo clipe daqui pra frente: velocidade, partícula e brilho não são história. Precisa ter alguém que quer alguma coisa, um obstáculo, e um mundo diferente no fim.
O protagonista é o valete de paus, a carta mais barata do baralho. Ele rouba as caras de outros baralhos pra subir: cada roubo é um rosto novo, cada rosto é um degrau. Só que o curinga que ele rouba no caminho é o Curupira, o que anda na contramão. E o jogador, que ninguém vê, armou a mesa inteira pra ele voltar ao fundo.
Oito atos amarrados à letra. O último quadro é igual ao primeiro: o clipe fecha em loop, porque o jogo recomeça. Quem sobe roubando volta pro baralho.
No meio do baralho aparecem as cartas do Conselho Neural, os nove mentores do universo Neural Chaos. Cada um virou carta com o próprio verso, e o Curupira é o curinga roubado.
O jogador é o próprio Mister RickRoss. Mas ele não se filmou. A decisão foi dele: aparecem só as mãos, e as mãos são digitais, feitas de glifos de carta. Uma presença que mexe as peças sem mostrar o rosto.
O movimento é real: veio de vídeos de mãos de verdade, usados como referência. Um detector lê os 21 pontos de cada mão, quadro a quadro, e esse esqueleto é aplicado numa mão 3D. Pinça que ergue a carta, mão que pousa na mesa, ponte, leque, a quina que levanta.
Pra sair do "bonito e vazio", o clipe ganhou uma equipe de verdade, só que toda feita de agentes de IA, cada um com um papel e um documento próprio. Todo mundo lê a mesma bíblia do projeto, toda decisão fica registrada com data, e a palavra final é sempre do artista.
Teve preço: com três agentes trabalhando ao mesmo tempo, o limite da conta estourava em minutos. A equipe passou a trabalhar um de cada vez, lendo só a ficha do próprio ato. Mais lento, e muito mais barato.
A primeira prova saiu num motor 3D de navegador. Lado a lado com a mesma cena no Blender, não teve discussão. O clipe inteiro foi pro Blender, montado só por código: nenhuma janela aberta, cada quadro é uma função do tempo da música, então qualquer pedaço pode ser refeito sem emenda aparecer.
O cenário é uma mesa de jogo no escuro: feltro, pista de nogueira com filete de latão, couro costurado e uma lâmpada Edison refeita peça por peça, do vidro ao filamento em gaiola, porque a primeira parecia uma bolha branca. "Sério que você gostou disso? Principalmente a lâmpada." Não tinha como gostar. Foi refeita.
Com o 3D pronto, o diagnóstico do artista foi o mais difícil de ouvir: "o clipe conta uma história, mas ela está lenta, sem brilho. Está muito bem executada, mas não é uma peça de magnetismo visual."
Então veio uma segunda camada, por cima do 3D, tudo guiado pela música:
A imagem acelera e freia dentro de cada batida, sem tranco.
Nos picos, o quadro cai pra 15 por segundo e o movimento vira pancada.
Zoom seco nos golpes da música, clarão em cada virada da história.
Uma leitura que persegue o valete: alvo, isca e a chance de queda subindo até 100%.
Esse é o último experimento antes do jogo de gente grande.
O algoritmo segura. Quem espalha é gente. Se o clipe te pegou, manda pra alguém.
Em breve: a loja e o canal do YouTube.